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Historia do Futsal em Portugal

A Historia Do Futsal Em portugal
 
 
 

Após de ter conseguido realizar a história resumida do passado do Santa Cruz F.C. e mesmo cançado, resolvi saber também como o Futsal entrou em Portugal e claro se o Santa Cruz F.C. estava envolvido, ficando por resolver as atribuições dos títulos oficiais das épocas 90/91 e 91/92.

Assim sendo resta-me apenas reforçar aqui toda a verdade.

 

Eduardo Pinto
Ex-Presidente da Federação Portuguesa de Futsal e ex-Vice presidente do Coimbrões conta como se passou:

 

Quando li as queixas/lamentações de um apaixonado do Futsal, recordei com alguma nostalgia o início da modalidade no nosso País, e nessa perspectiva, exclusivamente com o objectivo de informar os atletas, treinadores e dirigentes, sobretudo os mais jovens, gostaria, desde que o Responsável pelo site considere positivo, falar um pouco sobre o início da modalidade em Portugal.

 

Como tudo tem um princípio, vou aproveitar estas primeiras semanas para vos falar do início do Futsal em Portugal, prometendo desde já contar alguns factos curiosos na perspectiva de dotar os amantes da modalidade de alguns dados que julgo importante.

 

1.º- Capítulo - Futebol de Salão - Negócio ou Modalidade

Tudo começou em 1986, data em que, sobretudo no verão, se realizavam grandes torneios de futebol de salão, nomeadamente três deles atingiam uma enorme expressão, quer em termos de praticantes quer em termos de público, falo dos Torneios do F.C. Gaia, Infantes Sagres e Académico.


Cada um realizava as suas provas, sempre na perspectiva de angariação de receitas extraordinárias para fazer face às despesas das modalidades dos proprietários dos Pavilhões.

 

Um dia durante uma conversa de Pavilhão um grupo de pessoas começaram a equacionar a possibilidade de se poder organizarem provas (torneios), onde as regras fosse as mesmas (todos os torneios tinham regras e regulamentos diferentes) e sobretudo onde o produto da organização fosse em proveito de todos e não de alguns, muito poucos.

Então um grupo de pessoas representando os melhores clubes da época de futebol de salão, Eduardo Pinto, Júlio Silva, Vítor Almeida e Fernando Borges entre muitos reuniram-se e decidiram fazer uma reunião com colegas de outras equipes de Lisboa que igualmente sentiam o mesmo problema na capital. Nessa altura havia a necessidade de dotar o grupo com uma figura e fomos favor com o Sr. Carlos Alves representante da Patrick em Portugal e irmão do melhor jogador português da época, João Alves o luvas pretas do Boavista, que aceitou juntar-se a nós no início deste projecto.

 

Das conversações vieram os actos e rapidamente se constituíram três Associações a Nível Nacional: Porto, Lisboa e Minho para se poder criar a primeira Federação Portuguesa de Futebol de Salão.

À frente da Associação de Futebol de Salão do Porto ficou o Carlos Alves ficando o Eduardo Pinto como Vice-Presidente que acumulava funções de Dirigente da Federação Portuguesa de Futebol de Salão, que na sua primeira versão foi constituída com gente muito importante do desporto em, Portugal, nomeadamente Dr. Paulo Relógio (à data Presidente do Sindicato de Jogadores), José Eduardo (ex-Profissional de Futebol) e muita gente a colaborar: Rui Tovar, Fernando Correia, António Pedro, Eusébio etc.

 

Curiosa acabou por ser a forma de legalização da Associação de Futebol de Salão do Porto, na verdade tendo em vista dar algum impacto à criação da Associação foi solicitado que a escritura da mesma fosse outorgada pelo Boavista, Leixões e Padroense, no entanto e em cima do acontecimento fomos informados pelo Boavista Futebol Clube que não podia participar na escritura pelo facto de a Associação de Futebol do Porto ter aconselhado todos os clubes de futebol do Distrito a não participarem na escritura da Associação de Futebol de Salão do Porto. Perante esta primeira reacção do poder supremo do futebol os membros indigitados para a primeira Direcção da AFSP, decidiram avançar com a escritura desta feita outorgada por Clubes de Futebol de Salão, que naturalmente ficaram muito satisfeitos por participarem no nascimento daquela que viria a ser a grande impulsionadora do Futsal em Portugal.

 

Por hoje é tudo, na próxima semana, continuarei a falar deste assunto que apaixona tanta gente.

 

2ª Capítulo

Ao iniciar mais um artigo sobre Futsal, não podia deixar de agradecer as inúmeras mensagens de apoio recebidas, por esta iniciativa, bem como registar a satisfação de muitos Salonistas, pela possibilidade de finalmente se reproduzir a história da modalidade que mais cresce em Portugal, num meio de comunicação que verdadeiramente serve os interesses do Futsal .

Continuando a falar do 1º dia do Futsal em Portugal, registe-se o facto de a escritura de fundação da Associação de Futebol de Salão do Porto, realizada no dia 25 de Fevereiro de 1986, que foi alvo de um boicote por parte do Boavista F.C., pelos motivos já explicados na edição anterior, ter sido subscrita pelos Senhores José Camilo de Almeida em representação da Associação de Moradores de Massarelos, do saudoso Mário Alves da Silva Brito em representação da Associação Recreativa do Freixieiro e Jorge Augusto Fernandes Ferreira (actual treinador do Sporting Coimbrões) em representação do Grupo Desportivo os Académicos.

 

Após a escritura a Associação de Futebol de Salão do Porto (AFSP) que se veio a revelar como o grande motor de desenvolvimento da modalidade em Portugal, organizou em 8 de Novembro de 1986, no Hotel Ipanema, o 1º Congresso das Associações de Futebol de Salão em Portugal, que contou com a presença de representantes da Associação do Porto, Minho, Ribatejo, Aveiro e Lisboa, sendo aprovado nessa reunião a criação da Federação Portuguesa de Futebol de Salão além de outras questões "muito importantes" para o desenvolvimento da modalidade, como por exemplo, conforme se pode constatar da acta da reunião, o facto de a AFSP ir centralizar os resultados do 1º Campeonato Nacional de futebol de Salão pelo facto de ser a única que possuía um telex.!!!

Assim e após alguns meses de espera pela legalização da FPFS, deu-se início ao 1º Campeonato Nacional de Futebol de Salão, que viria a ser ganho pela Equipe do Porto, o Grupo Desportivo os Académicos.

O crescimento da modalidade foi rápido com a AFSP e os seus dirigentes a assumirem a liderança da modalidade em Portugal, sendo relevante o facto de logo no seu primeiro ano de exercício a AFSP ter registado inscrições de 48 equipes que disputaram a primeira prova que servia de apuramento para o 1º Campeonato Nacional da modalidade.

Chegamos então à data mítica de 1990, data da realização do II Campeonato da Europa de Futebol de Salão.

Após semanas de negociações realiza-se uma Assembleia-geral da Federação para atribuir a organização do Europeu, sendo entregue à AFSP, que além de suportar todas as despesas inerentes à estadia de todas as selecções, bem como à preparação e estágio de um mês da Selecção Nacional, que veio estagiar para o mais luxuoso hotel do Norte do País na época, o Solverde em Espinho, comprometeu-se a oferecer a cada Associação de Futebol de Salão do País, um Fax, uma Máquina de escrever e uma Máquina de Fotocópias!!!

 

Com esta candidatura forte foi decidido realizar no Porto o Europeu, que decorreu com enorme brilhantismo, sendo digno de destacar alguns aspectos que fizerem furor na época: Público participativo (lotações esgotadas em todos os jogos de Portugal), Título Alcançado (Vitória clara no Europeu) e por terem sido transmitidos em Directo pela RTP todos os 5 jogos de Portugal.

 

Apesar do êxito da prova os responsáveis da AFPS, nessa altura liderados pelo Eduardo Pinto, não ficaram muito contentes com um factor que passou ao lado da maior parte dos desportistas portugueses, A Selecção Espanhola, que meses antes da competição tinha goleado a Selecção Portuguesa numa Taça Latina, apresentou-se em Portugal com uma fraca Selecção, tendo os seus dirigentes, na altura igualmente responsáreis pela liderança da FIFUSA, Federação Internacional de Futebol de Salão e UEFS, União Europeia de Futebol de Salão, ambas as instituições lideradas pelo Espanhol António Alberca, argumentado que os seus principais jogadores estavam lesionados. Na próxima semana saiba qual a verdadeira razão desse afastamento.

 

3º Capítulo - A CISÃO DO FUTEBOL SALÃO INTERNACIONAL

 

Na última semana acabei esta minha conversa com os amantes de Futsal, no Europeu de Futebol de Salão realizado no Porto em 1990 e sobre uma questão que passou despercebida à maioria dos desportistas e público em geral, falo da ausência dos melhores jogadores espanhóis, apresentando a Espanha uma Selecção muito fragilizada.

 

É tão bom ganhar e ser Campeão Europeu, é simplesmente fantástico, só que eu, na altura Presidente da Associação de Futebol de Salão do Porto e cumulativamente, Presidente Adjunto da Federação Portuguesa de Futebol de Salão, depois de beber o champanhe da vitória, comecei no dia seguinte à procura da resposta para tanta facilidade.

 

Após uma semana de contactos com amigos em Espanha e no Brasil tomar conhecimento do nascimento de um movimento liderado pelos dois maiores pilares da FIFUSA (Federação Internacional de Futebol de Salão), falo da CBFS (Confederação Brasileira de Futebol de Salão) e FEFS (Federação Espanhola de Futebol de Salão), consistindo de por um lado se aproximarem do Universo FIFA (Federação Internacional de Futebol) e de por outro lado poderem fazer algumas alterações às então existentes regras de Futebol de Salão.

 

Apesar de ser a maior Federação do Mundo, no Brasil foi bastante pacífica esta mudança, sendo rapidamente celebrado um acordo ente a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a CBFS, que estabelecia entre outros pontos de menor importância, dois que definitivamente resolveram os problemas entre o Futebol e o Futebol de Salão:
1.º- A CBFS mantém a sua personalidade jurídica, a totalidade dos seus órgãos e continua com a responsabilidade de gerir, organizar e desenvolver em todos os Estados do Brasil o Futsal (novo nome do Futebol de Salão, aceite pelas duas partes como uma fusão entre os dois anteriores nomes (Futebol 5 por parte da FIFA e Futebol de Salão por parte da FIFUSA).
2.º- A CBF aceita a gestão interna do Futsal pela CBFS, ficando com a responsabilidade internacional ou seja, a CBFS dás os jogadores, dirigentes e Seleccionador e a CBF dás os equipamentos, para que o Brasil seja exclusivamente representado pela CBF.

Ainda debaixo deste acordo os principais dirigentes da FIFUSA, abandonam esta entidade e a FIFA cria uma Comissão executiva para o Futsal, sendo os dois mais importantes dirigentes da FIFUFA Januário D´Alésio e Álvaro de Melo e Filho integrados na comissão executiva da FIFA.

 

Em Espanha tudo foi bem diferente, sobretudo pelo facto de alguns dirigentes, provavelmente, não terem gostado da decisão da FIFA relativamente à colocação no Universo FIFA dos Dirigentes Brasileiros.

 

Perante este novo cenário, António Alberca, agora, o todo Poderoso do Futebol de Salão, Presidente da FEFS (Federação Espanhola de Futebol de Salão) e da UEFS (União Europeia de Futebol de Salão) e Vice-Presidente da FIFUSA, insatisfeito, eventualmente, pelo facto de não lhe ter sido dado qualquer lugar importante no Mundo FIFA, avança para Presidente da FIFUSA e recomeça uma batalha sem tréguas com a FIFA.

No entanto e inesperadamente os Clubes Espanhóis apercebendo-se do aparecimento do Futsal no Brasil, e muito insatisfeitos pelas posições do Sr. António Alberca, abandonam a Federação e criam uma Associação de Clubes, que rapidamente transformaram na LNFS – Liga Nacional de Futsal.

 

Após alguns anos de negociações, nas quais participaram as Federações Autonómicas de Futebol de Salão, as Federações Autonómicas de Futebol e a RFEF (Real Espanhola Federação de Futebol) é feito um acordo, que estabeleceu o seguinte:

1.º- A LNFS, fica com a responsabilidade de gerir, organizar o Futsal em toda a Espanha, nas principais divisões: Honor e Plata);
2.º- Todas as Federações Autonómicas de Espanha, gerem e organizam o Futsal Juvenil e as restantes divisões;
3.º- A RFE participa nas competições internacionais organizadas pela FIFA, cabendo à LNFS, a escolha dos Dirigentes, Seleccionadores e Atletas, sendo todas as Despesas das Selecções suportadas pela RFEF.

 

E então o nosso amigo António Alberca, agora presidente da Federação Espanhola de Futebol Salão, UEFA do Futebol de Salão e FIFUSA, como é que reagiu, saiba tudo na próxima semana e veja como se deu início ao movimento que veio a revolucionar o Futsal em Portugal.

 

4º Capítulo - A REVOLUÇÃO PORTUGUESA

 

Na última semana falámos sobre o aparecimento de um movimento internacional do Futebol de Salão e as implicações na modalidade em Portugal, na sequência das alterações profundas verificadas em Espanha.

 

Como se lembrarão António Alberca, com o aparecimento do Futsal no Mundo lança-se na corrida à Presidência da FIFUSA, em plano de grande decrescimento e começa a declarar à FIFA guerra aberta.

Em Portugal, assiste-se a esta luta titânica com os salonistas portugueses em maior número a optarem pelo movimento do Futsal.

António Alberca impotente para travar a caminhada imparável do Futsal em Portugal, vem ao nosso País e oferece alguns cargos "importantes" a alguns dirigentes portugueses que à data, ficaram completamente babados pela oferta de "grandes títulos internacionais", como por exemplo, Vice-Presidente da FIFUSA, Presidente da Assembleia-geral da FIFUSA, etc., conseguindo com esta "estratégia" dividir os desportistas portugueses.

 

Nessa altura, estamos nos anos de 1993/94, o País Desportivo, fica dividido em termos de Futebol de Salão, ficando o Sul a jogar Futebol de Salão e o Norte a jogar Futsal e não fora a "perrice" de um dos mais destacados dirigentes do Futsal, que com a oferta de um grande título mundial, passou-se para o Futebol de Salão, que dada a sua grande capacidade financeira, conseguiu levar meia dúzia de Clubes consigo e a derrota do Futebol de Salão seria por KO.

 

Mesmo assim, António Alberca, joga ainda uma última cartada, consegue realizar com a conivência dos citados desertores uma Taça das Comunidades de Futebol de Salão, no Pavilhão Rosa Mota, apresentando entre as oito selecções, que no início da competição passaram a sete, a Selecção Espanhola, para demonstrar aos Salonistas portugueses que afinal, Eduardo Pinto mentia, pois em Espanha continuava-se a jogar futebol de salão debaixo da alçada da Fifusa e não da FIFA.

 

Não me dei por vencido, sabendo que a lei desportiva Espanhola obriga a que cada Selecção que pretenda representar oficialmente Espanha, tem de solicitar ao Ministro dos Desportos a respectiva autorização, desloquei-me a Madrid para falar com o Presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Angel Maria Villar (ainda ocupa esta função) que por sua vez falando com o Secretário dos Desportos de Espanha, Cortes Elvira, me entregam um documento oficial, no qual se declarava que nenhuma entidade tinha solicitado autorização para representar a Espanha na Taça das comunidades de Futebol de salão e que quem representava a Espanha na modalidade era a Real Federação Espanhola de Futebol.

 

Com este documento e a 24 horas do início da prova, dou uma conferência de imprensa, para distribuir toda a documentação que desmascarava António Alberca e os seus pares. Este já no Porto, reage e conjuntamente com os dirigentes portugueses dirigem-se à Policia Judiciária para apresentar queixa por difamação contra o Presidente da Federação Portuguesa de Futsal, Eduardo Pinto, num show off que exclusivamente pretendeu realizar a prova debaixo da dúvida de quem falaria verdade.

 

Diz o ditado que contra a força não há resistência, e para que não houvessem quaisquer dúvidas, convidei 30 Jornalistas Portugueses, cobrindo praticamente toda a imprensa escrita e falada e com a colaboração da Real Federação Espanhola de Futebol e Liga Nacional de Futsal de Espanha, levamos a imprensa portuguesa a assistir à Final Four da Taça de Espanha, realizada na cidade Espanhola de Cáceres.

 

O Resultado é esmagador, todos os jornalistas ficaram de boa aberta, não só com a qualidade do Futsal apresentado pelas equipes participantes mas sobretudo pela aderência do Público que esgotava todas as partidas, simplesmente memorável.

 

Com esta força e o dinamismo dos dirigentes da Federação Portuguesa de Futsal, começávamos a alargar "fronteiras" sendo criado as Associações de Futsal do Algarve, Viana do Castelo e Guarda, que juntamente com o Porto, Vila Real, Aveiro, Bragança e Braga começam já a impor a Federação Portuguesa de Futsal como a maior entidade no Futebol de Pavilhão.

 

Vencida a luta com o Futebol de Salão havia agora que nos virarmos para o objectivo inicial traçado e acordado com o próprio Presidente da FIFA, Dr. João Havelange.

 

Na próxima semana prometo contar pela primeira vez toda a história que permitiu um Dirigente do Anonimato como eu, ter chegado a acordos com a FIFA, directamente discutidos com o seu Presidente.

 

5º Capítulo - JOÃO HAVELANGE NA ORIGEM DO FUTSAL EM PORTUGAL

 

João Havelange, o mesmo que recentemente foi tornado no mais recente Sócio Honorário de Vila Nova de Gaia, teve uma importância decisiva na implantação do Futsal em Portugal.

 

Antes de mais convém recordar que João Havelange é um perfeito conhecedor do Futebol praticado em Pavilhões, tendo mesmo nos anos 70 desempenhado as mais altas funções no Panorama do Futebol de Salão Mundial, nomeadamente como Dirigente da FIFUSA, Federação Internacional de Futebol de Salão, instituição tão importante à data, que viu o seu Presidente transitar para a Presidência da FIFA.

 

Chegado à FIFA João Havelange, começa a mudar as mentalidades dos dirigentes do Futebol Internacional, incutindo-lhes o gosto pelo Futebol de Salão começando desde logo a dar uma maior importância à variante liderada pela FIFA, o Futebol de 5.

 

Voltemos a Portugal, como se recordarão dos últimos artigos, após o Europeu de Futebol de Salão, iniciei uma pesquisa pelo Mundo tendo em vista poder analisar a verdadeira força do Futebol de Salão, numa dessas minhas aventuras, cheguei à fala com Alberto Melo e Filho, Vice-Presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, tornando-me rapidamente num seu amigo privilegiado, falando diariamente com ele apesar de separados por milhares de km.

 

Melo e Filho, começa então a convencer-me do crescimento do movimento internacional que liderava, na criação de uma nova modalidade, o Futsal, cujo objectivo passaria por aglutinar no seio da FIFA as duas modalidades de Futebol praticadas em pavilhão o Futebol de Salão e o Futebol de 5, confesso que desde a primeira hora que fiquei fascinado com o projecto, não só pelo junção das duas modalidades, o Futebol de Salão e o Futebol de 5, mas sobretudo pelo facto de ter, desde logo a noção, que a modalidade liderada pela FIFA iria rapidamente ter uma maior projecção.

 

Durante uma das nossas inúmeras conversas, Melo e Filho, informa-me que já falou em mim ao Presidente da FIFA, João Havelange, que estava a dar grande força ao projecto, sendo sua intenção a exemplo do Futebol, criar de imediato uma Comissão executiva dentro da FIFA que se preocuparia exclusivamente com o Futsal, comissão essa que iria aglutinar numa primeira fase os principais Dirigentes internacionais do Futebol de 5 e do Futebol de Salão, perguntando-me se pretendo ter alguma reunião com ele, visto a sua deslocação a Portugal para participar no Sorteio do Mundial de Sub-20 a realizar no nosso país.

 

Obviamente não resisti e disse-lhe que estava disponível para ter uma reunião com João Havelange, no entanto perguntei-lhe, como é que um dirigente como eu iria falar com João Havelange, no meio de tanta gente que por certo o iria receber ao Aeroporto, então lá combinamos que quando João Havelange entrasse no aeroporto eu dirigia-me a ele e dizia-lhe que era o Eduardo Pinto e ele me diria o que fazer.

 

Então lá chegou o dia D, e o Eduardo Pinto na companhia do Eng. João Rocha, actual coordenador nacional da Federação Portuguesa de Futebol e na altura Vice-presidente na Associação de Futebol de Salão do Porto, lá nos dirigimos para as chegadas internacionais, como o avião não chegava, acordamos que o Eng. João Rocha avançaria para o registo Nacional de Pessoas Colectivas, para registar a Federação Portuguesa de Futsal.

 

E então lá chegou o grande momento, João Havelange entra na gare e eu começo a dirigir-me a ele, reparo que atrás de mim, João Rodrigues Presidente da Federação Portuguesa de Futebol na companhia de outros dirigentes da FPF, também se dirigem ao Presidente da FIFA, de acordo com o combinado, entrego-lhe um bilhete, que diria, sou o Eduardo Pinto, dirigente do Futebol de Salão e amigo do Melo e Filho, ainda Havelange lia o bilhete e chega João Rodrigues que lhe pergunta, o que se passa?, respondendo Havelange: Estou a falar com o meu amigo Eduardo Pinto, sobre Futsal, informando-me que iria dar no Aeroporto uma conferência de imprensa ali mesmo no Aeroporto e que eu deveria ir ter com ele ao Hotel Altis.

 

Meio abananado, lá me dirigi para o Hotel Altis, sempre a pensar se era mesmo verdade o que me estava a acontecer.

Bem por hoje é tudo, veja a transformação verificada nas duas horas seguintes, e o impacto que tiveram no nascimento do Futsal em Portugal,

 

6º Capítulo - ESTATÉGIA DA FIFA PARA O FUTSAL

 

Na última semana terminei com o meu 1º encontro com João Havelange Presidente da FIFA ainda no aeroporto de Lisboa combinando comigo uma reunião no Hotel Altis, lá me dirigi para o Hotel, aguardando a chegada de João Havelange.

 

Passado cerca de uma hora, lá aparece a comitiva de João Havelange que é recebido com todas as honras do Hotel e de muitas outras personalidades e eu lá num cantinho do Hotel à espera, como nunca mais acabavam os cumprimentos e porque já estamos perto das 12,30h, dirigi-me a João Havelange com a intenção de lhe perguntar se me recebia naquele momento ou depois de almoço, mas não tive tempo de falar, João Havelange ao ver-me chegar junto a ele, virou-se para Fernando Martins, ex-Presidente do Benfica e João Rodrigues, presidente na altura da FPF e agarrando-me pelo braço, afirmou: Meus senhores vão-me desculpar mas tenho uma reunião importante a realizar com este meu amigo.

 

Lá subimos para uma suite presidencial, sentámo-nos e João Havelange começou-me a explicar os seus planos para tornar o Futsal uma modalidade de grande projecção dentro da FIFA, passado cerca de uma hora de intervenção, apresentei então a João Havelange um dossier sobre o estado da modalidade do Futebol de salão na Península Ibérica, bem como as minhas ideias sobre a organização e desenvolvimento do Futebol de Salão.

 

João Havelange após uma leitura muito atenta ao meu dossier, exclamou: excelente, menino, vamos para a frente mas agora vamos chamar à modalidade Futsal, para que todos os pontos negativos existentes na modalidade sejam enterrados com o nome do futebol de salão, orientando-me no sentido dos procedimentos a tomar para de imediato deixar de jogar futebol de salão em Portugal, passando a jogar com as novas regras e novo nome, o FUTSAL, ficando acordado desde logo uma reunião entre mim e responsáveis da Real Federação Espanhola de Futebol e Liga Nacional de Futbol Sala de Espanha, bem como a sua promessa de poder assistir no mais curto espaço de tempo a uma iniciativa da nossa nova estrutura a Federação Portuguesa de Futsal.

 

Em síntese o plano acordado com João Havelange, aqui revelado publicamente pela primeira vez, consistia no seguinte:

 

1.º- Abandono imediato da prática do Futebol de Salão, implicando naturalmente o nosso abandono da Federação Portuguesa de Futebol de Salão (da qual eu era o Presidente-Adjunto).

 

2.º- Divulgação imediata num Open de Futsal das novas regras da modalidade.

 

3.º- Criação de uma estrutura Federativa, a Federação Portuguesa de Futsal, cujo objectivo seria concentrar toda a actividade do Futsal e Futebol de Salão, acabando com a Federação Portuguesa de Futebol de Salão.

 

4.º- Criação de um movimento ibérico tendo em vista a integração na real federação espanhola de Futebol de todas as estruturas do Futebol de Salão em Espanha.

 

5.º- E por último a integração da Federação Portuguesa de Futsal dentro do seio da Federação Portuguesa de Futebol, com o estatuto de órgão autónomo.

 

Estamos em Março do ano de 1991, perante este cenário fantástico, não tive qualquer dúvida, messe mesmo dia registamos em Lisboa a Federação Portuguesa de Futsal e mal chego ao Porto, marco uma reunião com toda a Direcção da Associação de Futebol de Salão do Porto, da qual ocupava o cargo de Presidente da Direcção, nessa reunião que demorou cerca de 6 horas, fica determinado por unanimidade a seguinte estratégica:

 

1.º- A Direcção da AFSP vai defender a prática do Futsal junto dos seus filiados;

 

2.º- Solicitar à Federação Portuguesa de Futebol de Salão a autorização (que não veio a ser concedida) para que todos os Clubes da AFSP participantes nas provas nacionais sejam dispensados do fim-de-semana seguinte, em virtude da realização nesse dia de uma Reunião Geral de Clubes da AFSP.

 

3.º- Apesar da firme disposição dos dirigentes da AFSP na implantação imediata do Futsal, os Clubes é que tinham de decidir qual o caminho a seguir, pelo que iríamos juntar todos os elementos disponíveis sobre a nova modalidade o Futsal para serem apresentados aos filiados não numa Assembleia-geral, mas sim numa reunião, realizada nesse fim-de-semana, no Hotel Tuela no Porto, para que posteriormente todos os filiados já na posse de todos os elementos disponíveis, pudessem em consciência decidir o caminho a seguir.

 

Por hoje é tudo, na próxima o clima irá aquecer com a famosa reunião do Hotel Tuela e da Assembleia Histórica que ditou o nascimento do Futsal em Portugal.

 

7º Capítulo - REUNIÃO DO TUELA – MARÇO DE 1991

 

Na última semana expliquei pormenorizadamente o meu primeiro encontro com João Havelange Presidente da FIFA, que mudou completamente os meus horizontes sobre o desenvolvimento do Futebol de Salão.

 

Apesar da Federação Portuguesa de Futebol de Salão, não ter autorizado os Clubes filiados na Associação de Futebol de Salão do Porto a adiarem os seus jogos, a Direcção da AFSP, adiou todos os jogos e convocou todos os seus filiados para uma reunião a realizar na tarde de Sábado no Hotel Tuela, que naturalmente ficou à pinha, sobretudo pelo facto de o Jornal o Jogo nesse dia, trazer uma notícia de que os Clubes do Porto iriam nesse fim-de-semana fazer greve aos seus jogos oficiais.

 

Recordo que durante toda a semana, nenhum dirigente da AFSP deu alguma entrevista a qualquer órgão de comunicação social e que a única mensagem passada aos Clubes era de que a Direcção da Associação estava indisponível, pelo que deveriam todos marcar presença no Hotel Tuela, único sítio em que seriam dadas as explicações para tudo o que se estava a passar.

 

Assim na tarde de Sábado a Direcção da AFSP lá compareceu no Hotel, perante uma super enchente de dirigentes, treinadores e até atletas, que tinham ficado surpresos pela suspensão de todas as provas, algumas das quais estavam na contagem final.

 

Eduardo Pinto, Presidente da AFSP, agradeceu a presença de todos e pediu alguma compreensão para a longa explicação, que pretendia fazer, finda a qual responderia a todas as questões de todos os presentes.

 

No início da intervenção, lembrei que estamos numa reunião e não numa Assembleia-geral, motivo pelo qual não se iria decidir rigorosamente nada, servindo a reunião exclusivamente para que os filiados tivessem conhecimento de algumas situações graves existentes na modalidade, solicitando a todos que finda essa reunião reunissem nos seus Clubes, para que no Sábado seguinte, já em Assembleia-geral extraordinária se pudessem tomar as medias correctas para ultrapassar a crise existente.

 

Após esta introdução, Eduardo Pinto, alegou os seguintes problemas, na sua óptica classificados de muito graves:

 

1.º- Ao contrário das informações prestadas pela União Europeia de Futebol de Salão (UEFS) o Futebol de Salão na Europa e no mundo tinha sofrido um rude golpe pelo facto de os dois principais dirigentes mundiais da Federação Internacional de Futebol de salão (FIFUSA), Januário D’Alésio e Álvaro Melo e Filho, tinham abandonado a instituição, passando a figurar na Comissão Executiva da FIFA para o Futsal, situação que culminava o afastamento das duas principais ligas do mundo, a brasileira e a espanhola, que tinham optado pelo Futsal da FIFA em substituição do Futebol de salão da FIFUSA.

 

2.º- Eduardo Pinto apresenta nessa reunião um livro, o 1º livro de Futsal existente no nosso País, aproveitando a oportunidade para referir as principais alterações do Futebol de Salão para o Futsal, a saber:

a)- A Bola aumenta ligeiramente;

b)- Passa a ser permitido jogar dentro da área de baliza

c)- Introdução das Faltas individuais e faltas cumulativas

d)- Introdução do Duplo Penalti (livre de 12 m, agora livre de 10 m)

e)- Substituições volantes em vez de se parar o jogo.

f)- Possibilidade do Guarda-Redes poder sair da área (e jogar a bola durante 4 s)

 

3.º- Eduardo Pinto, explicou ao pormenor o teor da reunião mantida em Lisboa com João Havelange, presidente da FIFA;

 

4.º- Por último Eduardo Pinto explicou em pormenor a organização do I Campeonato da Europa de Futebol de Salão organizado pela sua Associação, que trouxe à tona da área os objectivos pouco sérios dos dirigentes da Associação de Futebol de salão de Lisboa explicando os motivos porque considerava que a postura desses dirigentes era exclusivamente comercial.

 

A intervenção de Eduardo Pinto durou cerca de 2 horas, sendo seguido com muito interesse por todos os presentes que ouviam pela primeira vez falar de algumas questões que naturalmente os surpreendiam.

 

Aberto o período de discussão, seguiram-se um período de intervenção nos quais participaram 25 agentes da modalidade, sendo de realçar que a maioria deles, tinha ficado demasiado surpreendido por tudo aquilo que tinha ouvido, mas logo ali, muito dos intervenientes, endossaram ao Eduardo Pinto, desde sempre o seu timoneiro para ver bem qual seria o melhor caminho, pois eles estariam determinados a seguir as suas orientações.

 

Após 5 horas, foi dada a reunião por encerrada, sem se ter registado qualquer incidente.

 

Por hoje é tudo, na próxima vou falar exclusivamente sobre a preparação e realização da Assembleia-geral Extraordinária que ditou o Nascimento do Futsal.

 

8º Capítulo - ASSEMBLEIA HISTÓRICA ABRE PORTAS AO FUTSAL

 

Na última semana falei sobre os preparativos para o abandono do Futebol de Salão, por parte de 174 Clubes, muitos deles a três jornadas de serem campeões, a tarefa não era fácil, no entanto o método utilizado veio a revelar-se o mais eficaz.

 

Na verdade apesar dos Dirigentes da AFSP terem uma forte expectativa relativamente ao Futsal, o facto de primeiro terem reunido com os clubes no Hotel Tuela e só uma semana mais tarde reunirem em Assembleia-geral, permitia uma grande reflexão de todos e sobretudo uma maciça presença de todos os clubes no momento da decisão.

 

Durante toda a semana, todos os dirigentes da AFSP, não deram qualquer entrevista sobre o tema em discussão e desenvolveram uma forte actividade no sentido de tentar ter o maior número de Clubes na Assembleia-geral. Foram dadas instruções a todos no sentido de evitarem falar com os Dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol de Salão, para se evitar qualquer polémica.

 

No entanto na reunião de Direcção que antecedeu a Assembleia-geral Extraordinária, alguém levantou a seguinte questão: O Eduardo Pinto vai dizer na Assembleia que teve uma reunião com o Presidente da FIFA João Havelange acordando com ele todo o processo de início do movimento do Futsal em Portugal, mas e se alguém da plateia questiona, como é que pode provar que esteve reunido com o Presidente da FIFA, pois apesar da credibilidade do Eduardo Pinto na modalidade, estamos a falar numa decisão histórica e não sabemos se os detractores, que nestas alturas aparecem sempre, o vão questionar com este tipo de questões.

Fiquei perplexo, na verdade, quem é que poderia acreditar que um dirigente como eu, tinha estado reunido com o Presidente da FIFA, a maior instituição desportiva do Mundo e acordado com ele o que quer que seja.

 

Não parei, comecei de imediato a falar para todo o lado à procura do paradeiro do Presidente da FIFA, estávamos no dia 17 de Marco de 1991, a 6 dias da Assembleia, e na manhã do dia seguinte consegui apanhar João Havelange no Brasil, lá lhe expliquei o meu problema, sendo naturalmente entendido por ele que me descansou, dizendo-me que iria fazer chegar por escrito a existência do nosso acordo.

 

A partir desse dia, todos os dias ia ao correio, mas nada, no entanto no dia 21 de Março a dois dias da Assembleia, recebi uma carta da FIFA, com o seguinte texto: Prezado Presidente Eduardo Pinto. Antes de deixar Zurich com destino ao Rio de Janeiro queria dizer-lhe do prazer que tive em conhecê-lo e felicitá-lo pelo trabalho que desenvolve a favor do futebol de 5 "Futsal".

 

Com referência ao seu convite para assistir no dia 09.06 do seu Torneio no Porto, há um problema que me preocupa da minha chegada a Lisboa vindo de Londres, pois chegarei nessa data a Lisboa às 17.30 pelo voo BA-502. Assim lhe pediria que verificasse uma outra ocasião para que eu possa ter contacto com a sua Associação.
Respeitosamente, Havelange.

 

Se com a chegada desta carta, fiquei completamente aliviado, um novo problema surgia, a Federação Portuguesa de Futebol de Salão, começou a contactar directamente com os Clubes inscritos na Associação do Porto, convidando-os para uma reunião a realizar no Hotel Tuela, no dia 22 de Março, ou seja na véspera da Assembleia-geral.

 

Apesar de me preocupar as aldrabices que mais uma vez os dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol de Salão pudessem transmitir aos meus filiados, decidi retirar-me na sexta-feira para fora do Porto, para não só não resistir à tentação de ir a essa reunião, mas sobretudo para poder preparar a minha intervenção no Sábado seguinte.

 

Chegou finalmente o dia 23 de Março de 1991, pelas 8 da manhã lá cheguei ao Auditório da Direcção Geral dos Desportos, fazendo questão de receber um a um todos os clubes que viriam participar na Assembleia.

 

Com direito a voto, existiam na altura 99 clubes. Apesar de termos pedido para que todos os Clubes se representassem por um único dirigente, quase toda a gente veio em peso para a Assembleia, esgotando por completo, pela primeira vez na história da modalidade o espaço disponível.

 

Após o formalismo do acto, estávamos numa Assembleia-geral, o Presidente deu a palavra a Eduardo Pinto para defender a proposta apresentada pela Direcção da Associação de Futebol de Salão, que consistia no abandono da filiação da Associação de Futebol de Salão do Porto da Federação Portuguesa de Futebol de Salão bem como de dar início à constituição da Federação Portuguesa de Futsal.

Rezam as crónicas da altura, de muitos Dirigentes de Clubes que nesse dia, para bem do Futsal, estive simplesmente "imparável", apresentando cuidadosamente todos os elementos que dispunha, dividindo a minha intervenção em duas fases, a primeira, de explicação da situação actual do futebol de salão em Portugal e no

 

Mundo e de seguida, na defesa de todos os pontos de vista, com apresentação de factos concretos, sobre o movimento do Futsal que nascia pelo mundo inteiro.

Após a primeira intervenção pedi ao Senhor Presidente da Mesa da Assembleia para dar a para a todos aqueles que tivessem qualquer dúvida sobre os dados apresentados, na certeza de que muitos deles tinham sido inflamados pelos dirigentes da Federação na noite anterior. A estratégia veio a revelar-se eficaz, após a minha primeira intervenção, a maioria dos filiados congratularam-se com a minha postura e dedicação à frente dos destinos da Associação, começando alguns deles a proferir autênticos disparates teleguiados pelos dirigentes da Federação.

Na segunda intervenção comecei a apresentar os factos e a todos aqueles que duvidavam da minha reunião com o Presidente da FIFA, distribui cópia da carta recebida, a todos aqueles que afirmavam, que o Futsal não existia no Mundo, entreguei o I Livro de Futsal, emitido pela Confederação Brasileira de Futebol de Salão a maior estrutura do Mundo da modalidade e a todos aqueles que duvidavam da abertura da FIFA à modalidade, distribui cópia do acordo celebrado entre a Confederação Brasileira de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol de Salão. Após a minha segunda intervenção que demorou cerca de 1,30 horas, obtive uma primeira grande vitória, a esmagadora maioria dos presentes, de pé, aplaudiram a minha intervenção, num sinal claro de apoio às minhas posições. De seguida passou-se à votação, com 93 votos a favor e 3 contra, numa demonstração inequívoca do apoio às novas ideias do Futsal.

Eduardo Pinto, agradeceu o voto de confiança de todos e dirigindo-se aos três clubes que votaram contra, Associação Moradores do Carvalhido, Grupo Desportivo os Académicos e Praia-Mar, pediu-lhes para que na segunda-feira seguinte, fossem os primeiros clubes a inscreverem-se no I Open de Futsal, sendo relevante confirmar-se que na segunda-feira seguinte, estes Clubes foram na verdade dos primeiros a inscreverem-se na competição, sintomático.

Por hoje é tudo, na próxima semana vou falar das repercussões da decisão tomada, bem como dos primeiros passos que o Futsal deu em Portugal.

 

9º Capítulo - As negociações da Federação Portuguesa de Futsal com a Federação Portuguesa de Futebol

 

Dia novo vida nova, após a Assembleia-geral que deu as boas vindas ao Futsal, deu-se início às competições de futsal, já com as novas regras, numa competição que serviu para confirmar o empenho de todos aqueles que tinham dado um grande tributo ao nascimento da modalidade, a prova acabou por ter um brilhante vencedor, o Santa Cruz F.C. equipe de Matosinhos.

 

Aproveitando o empenho do Presidente da FIFA, deu-se então simultaneamente à divulgação da nova modalidade o Futsal, sob a égide da recém criada Federação Portuguesa de Futsal, procurando cativar todos os Clubes e por outro lado deu-se início às negociações com a FPF, à data liderada pelo Dr. João Rodrigues.

 

A tarefa da organização do Futsal não foi fácil, dado o empenho da Federação Portuguesa de Futebol de Salão de ter iniciado um processo de difamação do meu nome e naturalmente do Futsal, fazendo tudo com o apoio do Estado Português, que ao atribuir à Federação de Futebol de Salão o estatuto de utilidade pública desportiva dava um forte murro nas aspirações dos dirigentes do Futsal.

 

E o Futebol de Salão não parava e conseguia dar um rude golpe ao Futsal ao conseguir passar para o seu lado um dos principais dirigentes do Futsal e agora cabeça de cartaz, tudo fazendo para ilegalizar a Federação de Futsal, só que contra a força não há resistência possível e mais vez, vendo que o pulmão do Futebol de Salão vinha de Espanha, do Presidente da Federação Espanhola António Alberca, já igualmente Presidente da FIFUSA, e quando o Futebol de Salão se preparava para dar o golpe fatal no Futsal, organizando no Porto a I Taça das Comunidades, convocamos toda a imprensa e apresentamos um documento do Governo Espanhol, assinado pela Secretário dos Desportos de Espanha, que atesta que a Federação Espanhola de Futebol de Salão não pode participar (mas participou) no evento por a mesma não ter sido autorizada a tal. A esta resposta, António Alberca, ajudado pelos Dirigentes da Federação a quem começava a atribuir cargos "importantes!" na FIFUSA, apresenta uma acção em tribunal, contra a minha pessoa, que guardo como relíquia sendo minha intenção apresentá-la brevemente para se poder ver bem a dignidade de alguns dirigentes portugueses, que colaboraram nesta farsa.

 

Foi tentado tudo, mas a FPF nunca demonstrava interesse em dar poder a uma estrutura, a FPFS, para que esta dentro da FPF pudesse com a autonomia necessária continuar a gerir o Futsal em Portugal.

 

Tudo tem um limite, e ao fim de doze anos de luta, desisti, o adversário era muito forte e muitas vezes, actuava sozinho, recordando que nessa altura não existia Internet, não existia a Sport TV, não existia a Infordesporto, o FutsalPortugal nem o Desporto PT, para ajudar como o tem feito actualmente e bem hajam por isso.

Assim e ao fim de alguns anos de lutas sem tréguas, já comigo fora da FPFS é feita a integração do Futsal no seio da FPF, nas condições que são conhecidas por todos.

 

Chega ao fim a minha história sobre o Futsal, espero que tenha servido para alguns recordarem as dificuldades porque já passaram e sobretudo desejo que os principais dirigentes dos Clubes únicos timoneiros da modalidade em Portugal em face da ausência do poder federativo, possam levar a nau do Futsal a um bom Porto.

 
Eduardo Pinto
Ex-Presidente da Federação Portuguesa de Futsal

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